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Bárbara S. de P. X Andy Warhol
Por Bárbara S. de P. | 08/07/2008
(outro pequeno fragmento do meu Trabalho de Conclusão de Curso, para a Escola de Belas Artes da UFMG)

Annateresa Fabris descreve uma comparação feita por Jameson entre O grito de Munch e os retratos executados por Andy Warhol:

O grito é “uma expressão ortodoxa da grande temática moderna da alienação, da anomia, da solidão, da desagregação e do isolamento sociais”, enquanto os personagens do artista norte-americano são uma afirmação do sujeito fragmentado, aniquilado mesmo, encarnando uma categoria que Jameson denomina “declínio do afeto”, da qual resulta aquele predomínio da superfície, tão típico do universo pós-moderno. [1]

As mulheres pintadas a têmpera ovo são o oposto do que Andy Warhol faz quando repete a serigrafia de Marilyn Monroe, anulando seu gesto e autoria. Por isso, fazer da fotografia uma ferramenta da pintura, no lugar de encará-la como produto final. Seria o meu trabalho, então, um retorno ao grito? Não. Embora bem diferentes das Marilyn Monroes, essas mulheres são produto da mesma fragmentação do indivíduo, elas são a “repetição” de várias outras.
A despeito de qualquer reflexão que possam aparentar nada nos é dito sobre essas mulheres, sendo assim, ela não são nada mais que suas cascas, estão vazias. Mas não como as Marilyns de Warhol, que como ele mesmo explica:

(…) a arte pop despersonaliza, mas não torna ninguém anônimo: não há nada mais identificável do que Marilyn, a cadeira elétrica, um pneu ou um vestido, vistos pela arte pop; e, são apenas isso: imediata e perfeitamente identificáveis nos ensinam com sua presença que a identidade não é a pessoa: o mundo futuro corre o risco de ser um mundo de identidades (através da generalização mecânica dos fichários da polícia), mas não um mundo de pessoas. [2]

As mulheres de Bárbara, ao contrário, não são identificáveis, são pessoas, mas ainda sim fragmentadas. Não possuem o glamour, não são alvo de admiração. Ao desligar das TVs, quando o consumo e as celebridades se apagam com a tela, elas são o que resta.

Elas são aquilo que o espectador não quer viver, mas vive. Não são uma denúncia politicamente correta de uma dura realidade vivida pelos menos favorecidos ou por alguma minoria pela qual o senso comum cultua uma piedade anestésica: nelas, o observador encara sua própria miséria emocional, seu próprio vazio e anonimato.

A obra de Warhol nivela indivíduo e objeto de consumo. Ela é mais um reflexo do fenômeno do narcisismo apontado por Gilles Lipovetsky, que, segundo ele, teria sua origem no “desaparecimento do pai, devido à freqüência dos divórcios”, o que levaria a criança a ver na mãe a imagem de castradora do pai. A criança, então, alimenta o sonho de substituir o pai, “de ser o falo, ganhando celebridade ou se juntando aos que representam sucesso.”

Comparando as abordagens dos trabalhos, nos deparamos novamente com uma proposta oposta à de Warhol. Meu trabalho representa o outro lado, a realidade banal do rebanho, o dia-a-dia fora do sonho. Nada aqui é sacralizado pela arte ou glorificado.

[1] CHALUB, Samira. Pós-moderno &: semiótica, cultura, psicanálise, literatura, artes plásticas. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1994. p. 109.

[2] CHALUB, Samira. Pós-moderno &: semiótica, cultura, psicanálise, literatura, artes plásticas. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1994. p. 109.

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